5 de março de 2026

Volta às aulas 2026: economia apertada redefine consumo e desafia o varejo escolar em Sorocaba

Levantamentos do Procon-SP mostram que a diferença de preços de um mesmo item pode chegar a 270% no comércio local. Crédito: Divulgação

A volta às aulas de 2026 acontece num cenário de profunda transformação no comportamento do consumidor brasileiro. Dados nacionais indicam que 8 em cada 10 famílias pretendem reaproveitar materiais do ano anterior, enquanto 88% afirmam que a compra de itens escolares pesa significativamente no orçamento mensal. Mais do que uma tendência pontual, trata-se de uma mudança estrutural, impulsionada pela alta acumulada dos preços do setor, cerca de 29% entre 2023 e 2026, muito acima da inflação geral do período, que ficou em torno de 14%.

As informações são do Núcleo de Estudos Econômicos da Athon a pedido da ACSO.

Esse descompasso entre renda e preços impacta diretamente o varejo. Projeções do IBEVAR/FIA apontam uma retração de 5,9% nas vendas de material escolar em 2026, com maior pressão sobre as pequenas e médias empresas. A inadimplência das famílias, próxima de 7%, mantém os juros elevados e restringe o crédito, tornando o parcelamento mais caro para o lojista e menos acessível para o consumidor. A compra por impulso perde espaço para um planejamento cada vez mais rigoroso.

Diferença de preços

Na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), esse comportamento defensivo é ainda mais evidente.

Levantamentos do Procon-SP mostram que a diferença de preços de um mesmo item pode chegar a 270% no comércio local, o que incentiva o consumidor a pesquisar intensamente antes de comprar. Diferentemente da capital, onde a conveniência muitas vezes prevalece, em Sorocaba o esforço pela economia é valorizado, colocando o comércio local em disputa direta com atacarejos e marketplaces digitais.

Diante desse cenário, a ACSO destaca que a competitividade do lojista não estará apenas no preço, mas na capacidade de oferecer conveniência, confiança e soluções práticas. Serviços como encadernação, reparo de mochilas, personalização e kits essenciais por faixa de preço surgem como alternativas estratégicas para atender famílias que priorizam o reaproveitamento e o controle do orçamento.

“O consumidor mudou, e o comércio precisa mudar junto. Hoje, o lojista não concorre apenas com a papelaria ao lado, mas com o orçamento apertado das famílias. Quem conseguir se posicionar como aliado do cliente, oferecendo transparência, serviços e atendimento personalizado, vai atravessar esse período com mais resiliência”, afirma o presidente da ACSO, Hygor Duarte.

Atenção ao calendário

Outro fator decisivo em 2026 é o calendário. Com o Carnaval logo após o pico da volta às aulas, o período entre 20 e 31 de janeiro concentra a principal janela de conversão. Recursos que não forem capturados nesse intervalo tendem a migrar para gastos com lazer em fevereiro, tornando essencial a antecipação de campanhas, ações de ‘última chamada’ e estratégias que estimulem a decisão rápida de compra.

Para a ACSO, 2026 será o ‘ano da defesa’: menos expansão e mais eficiência operacional.

“Fortalecer o relacionamento com a base de clientes, diversificar receitas por meio de serviços, adotar meios de pagamento que favoreçam o caixa e investir em ações coletivas são caminhos para enfrentar a volatilidade econômica. O desafio é grande, mas, com planejamento e cooperação, o comércio tem a oportunidade de mostrar sua força e relevância num dos períodos mais importantes do ano”, indica a ACSO.

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