
A redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução de salário, pode gerar até 3,5 milhões de novos empregos em todo o Brasil, segundo estudos do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). A medida é defendida pelo movimento sindical como uma estratégia concreta de combate ao desemprego, de valorização do trabalho e de melhoria da qualidade de vida da classe trabalhadora. Na região de Sorocaba seriam pelo menos 4 mil novos postos de trabalho somente na base do Sindicato dos Metalúrgicos (SMetal).
De acordo com o DIEESE, a redistribuição das horas de trabalho pode ampliar o número de postos formais sem comprometer salários. Trabalhadores mais descansados produzem mais, adoecem menos e faltam menos ao trabalho. A redução da jornada também pode aliviar a pressão sobre o sistema público de saúde, fortalecer os laços familiares e estimular o consumo local, movimentando a economia, segundo o sindicato.
Escala 6×1
A defesa da redução da jornada está diretamente ligada ao enfrentamento da escala 6×1. Dados do DIEESE revelam que 82% dos trabalhadores e trabalhadoras submetidos a essa escala nos setores de comércio e serviços ganham até dois salários mínimos. Entre as mulheres negras, o índice chega a 90%, evidenciando a reprodução das desigualdades estruturais no mercado de trabalho.
A jornada excessiva compromete o descanso, prejudica a saúde física e mental e reduz drasticamente o tempo de convivência familiar e social, de acordo com o sindicato. “Jovens, mulheres e negros são os mais atingidos por esse modelo, que concentra renda e amplia a precarização”, avalia.
Pesquisa do Datafolha aponta que 64% da população brasileira defendem a redução da jornada, enquanto 97% dos trabalhadores que atuam na escala 6×1 querem o fim desse modelo.


