6 de maio de 2026

Pressão de lagartas desafia milho safrinha 2025 no Cerrado

Entre as principais ameaças está a lagarta-do-cartucho, (Spodoptera frugiperda), consolidada como o maior desafio da safra atual. Crédito: Divulgação

A safrinha de milho 2025 no Cerrado brasileiro tem sido marcada por um alerta fitossanitário importante: a forte pressão de lagartas nas lavouras, inclusive em áreas com híbridos dotados de biotecnologia Bt. Produtores relatam aumento significativo na população de pragas, necessidade maior de aplicações de inseticidas e casos de quebra de resistência, cenário que acende o sinal de atenção para o manejo integrado.

De acordo com levantamentos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o milho segunda safra mantém papel estratégico no abastecimento nacional, representando parcela expressiva da produção total do cereal. No entanto, fatores climáticos e fitossanitários têm impactado o potencial produtivo em diferentes regiões do Cerrado, especialmente em áreas com alta pressão de pragas.

Entre as principais ameaças está a lagarta-do-cartucho, (Spodoptera frugiperda), consolidada como o maior desafio da safra atual. Relatos de campo indicam resistência a determinadas tecnologias Bt, inclusive eventos considerados mais robustos, o que tem levado produtores a realizarem de seis a sete aplicações de inseticidas em algumas áreas. A praga causa danos severos no desenvolvimento inicial da cultura, incluindo o chamado “coração morto”, comprometendo diretamente o estande e o potencial produtivo.

Além dela, o complexo Spodoptera também avança nas lavouras, ampliando o desafio de controle. A lagarta Helicoverpa (Helicoverpa armigera) volta a ser relatada como praga relevante no milho safrinha, enquanto a lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus) encontra nas condições de calor intenso e estiagem ambiente favorável para atacar a base da planta, afetando o colo e reduzindo o vigor inicial.

Redução na produtividade

Segundo a Embrapa, populações elevadas de lagarta-do-cartucho podem reduzir a produtividade do milho em até 60%, dependendo da fase de desenvolvimento da planta e da intensidade do ataque. O quadro fitossanitário é agravado por fatores como:

  • Quebra de resistência Bt, com maior pressão seletiva nas áreas;
  • Calor intenso, que acelera o ciclo biológico das lagartas;
  • “Ponte verde” entre soja e milho, favorecendo a migração precoce das pragas para a safrinha.

Para Edir Eraldo Pfeifer, especialista em desenvolvimento de mercado da Ourofino Agrociência, o momento exige rigor técnico e disciplina no manejo: “O produtor precisa reforçar o monitoramento e não confiar apenas na tecnologia embarcada no híbrido. A lavoura deve ser vistoriada com frequência, principalmente entre os estádios V8 e V10, quando o milho é mais sensível. A antecipação do controle é determinante para evitar perdas expressivas.”

Manejo Integrado ganha protagonismo

O cenário reforça a importância do Manejo Integrado de Pragas (MIP) e do Manejo de Resistência de Insetos (IRM). Entre as principais recomendações técnicas do especialista estão o monitoramento constante da lavoura; aplicações direcionadas ao cartucho do milho, priorizando lagartas com menos de 1 cm; rotação de mecanismos de ação, evitando repetição de princípios ativos; integração de controle biológico e tratamento de sementes para mitigar danos iniciais de elasmo.

“Rotacionar produtos torna-se um dos pilares para preservar a eficiência das ferramentas disponíveis.”, reforça o profissional.

Diante da complexidade do quadro atual, o uso criterioso de inseticidas com mecanismos de ação diferenciados tem sido parte da estratégia adotada no campo. Entre as opções disponíveis no mercado está o Goemon®, inseticida desenvolvido pela Ourofino Agrociência em parceria com a multinacional ISK. Formulado com ciclaniliprole, do grupo químico das diamidas, o produto atua nos receptores musculares das lagartas, promovendo desregulação do cálcio intracelular, o que leva à paralisação rápida da alimentação e posterior morte do inseto.

Indicado para o manejo de lagartas de difícil controle, como Spodoptera frugiperda e Helicoverpa armigera, o inseticida apresenta amplo espectro de ação e seletividade a inimigos naturais, característica relevante dentro do contexto de MIP.

“Mais do que simplesmente eliminar a praga, é fundamental escolher ferramentas que se encaixem dentro de uma estratégia integrada, preservando a eficácia no longo prazo e respeitando o equilíbrio do sistema produtivo”, destaca Bárbara.

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